Moedas digitais e futuro do mercado imobiliário

Uma das tecnologias que mais agitaram os mercados na última década foi o implemento das moedas digitais. Apesar de existirem desde os anos 2000, foi no início da década passada, em meados de 2013, que elas começaram a se popularizar em todo o mundo.

Para quem não está familiarizado com a tecnologia, a melhor forma de entender as moedas digitais é pensar nelas como a modalidade débito dos cartões bancários, vez que essa função permite ao usuário e ao correntista movimentar suas finanças com transações inteiramente virtuais.

Na prática, as moedas digitais são uma espécie de dinheiro. A diferença é que elas não existem em unidades tangíveis, como as cédulas de papel e as moedas de metal. Assim como nas compras em débito, todas as transações são feitas digitalmente.

Um setor do comércio que está cada vez mais envolvido com o avanço do uso das moedas digitais é o mercado imobiliário. Em especial, porque, em meio à crise enfrentada globalmente e à rápida digitalização do mundo, essa área tem se mostrado resistente e em crescimento, quando comparado com as demais.

Criptomoedas

Vale começar dizendo que nem toda moeda digital é uma criptomoeda, apenas aquelas que são descentralizadas e criptografadas. Ou seja, são moedas que não estão associadas às bandeiras nacionais e foram desenvolvidas a partir de sistemas criptográficos de proteção. Hoje, existem aproximadamente 100.000 criptomoedas no mundo.

No Brasil, cada vez mais empresas do setor imobiliário aceitam e fazem pagamentos utilizando algum tipo de criptomoeda. Isso tem sido cada vez mais intensificado pela aceleração da digitalização dos processos de todos os segmentos do mercado nacional.

Além disso, costuma-se dizer que as criptomoedas e a venda de imóveis têm muito em comum entre suas distintas operações, o que facilita a assimilação das moedas digitais nas transações do setor imobiliário.

Assim como ocorre na compra de um imóvel, por exemplo, a transferência de moedas digitais como forma de pagamento exige a emissão de certificado de autenticidade. Da mesma forma, tal qual os serviços de registro de imóveis, os das moedas são públicos e podem ser consultados por qualquer pessoa que esteja interessada.

As empresas do setor que aceitam criptomoedas apostam na diversificação de suas formas de pagamento, bem como na desburocratização dessas transações. Além disso, as moedas digitais são extremamente seguras, em especial, a bitcoin, mais difundida, e não existe a possibilidade de fraude.

Dynasty

A intersecção entre as moedas digitais e o setor imobiliário é tão crescente que, desde 2018, existe uma criptomoeda criada especialmente para esta área: a Dynasty. Fundada por um grupo de empreendedores brasileiros que vive na Suíça, ela é parte do que ficou conhecido como Crypto Valley, em Zug, cidade do país europeu.

Por seguir um padrão de regras da Suíça, porém, a Dynasty é um pouco mais burocrática do que as moedas digitais que estamos acostumados no Brasil. Por outro lado, ela também é mais segura. Antes de sua liberação, uma análise rápida é feita por meio do preenchimento de um formulário digitalizado.

Os fundadores afirmam que isso garante que a política antilavagem de dinheiro seja respeitada. Ou seja, esse cadastro prévio garante que se possa afirmar que nenhum dinheiro de fonte ilícita caia na companhia, o que, mesmo sendo uma exigência suíça, também é parte da filosofia da empresa brasileira.

Dessa maneira, contrariando uma expectativa de fraude em moedas que não são emitidas por entidades nacionais, as criptomoedas têm potencial para serem mais confiáveis e seguras que o dinheiro como conhecemos hoje. 

Exatamente por isso, as previsões mais otimistas acreditam que elas substituirão as transações atuais não somente no setor imobiliário, mas em todos aqueles que envolvem relações financeiras.